A força do sertão através da música
Elomar Figueira Mello nasceu em 21 de dezembro de 1937 em Vitória da Conquista, onde reside até hoje. Teve uma formação protestante marcada nas letras de suas músicas. Estudou entre o sertão e a capital e se formou em Arquitetura pela Universidade Federal da Bahia, tendo ainda passado pela Escola de Música dessa Universidade. Elomar passa a maior parte do seu tempo nas suas fazendas. Uma delas é a Fazenda Gameleira, que ele chama de Casa dos Carneiros, imortalizada na música Cantiga do Amigo. Fazenda esta visitada pelo aluno do quarto ano de Jornalismo do Cesumar, Alexandre Gaioto Martins, que fez um projeto de conclusão de curso a respeito da obra de Elomar. Gaioto em seu trabalho retira a expressão “O imbuzeiro das bêra do rio”, de uma das músicas de Elomar na qual, segundo ele, representa bem o músico que apesar de misturar os estilos sertanejo e erudito, e ter vivenciado uma rotina da cidade, permanece firme nos costumes do sertão, da caatinga onde ele vive. Para Elias de Paula, coordenador da Radio Universitária Cesumar, a música de Elomar representa a realidade do sertanejo, que indo para a cidade se desvirtua ou sofre com uma realidade diferente da que ele vivia no campo. O “imbuzeiro das bêra do rio” é uma arvore que se encontra na beira dos rios, sofrendo a pressão da água, mas mesmo assim permanece firme no local onde estão suas raízes, sendo uma metáfora da vida dos camponeses que vão para a cidade, mas continuam ligados a sua origem. Na obra de Elomar se encontra uma curiosa vertente na ópera sertaneja, com uma linguagem dialetal, como ele afirma, sertaneza. Têm em suas obras destaques como "Clariô", "O Violeiro", "Arrumação" e "O Peão na Amarração", apesar de ser avesso à exposição na mídia para poder divulgar suas músicas. Vive em suas fazendas criando bode, mas ainda se apresenta em teatros e shows abertos ao público que são, segundo o pesquisador de suas obras, Alexandre Gaioto, de sertanejos e intelectuais, excluindo a grande massa. Gaioto faz uma analise em seu trabalho da resistência da música de Elomar à modernidade e do hibridismo de estilos musicais e do hibridismo encontrado em seus personagens que vivenciam culturas diferentes no campo e na cidade. Em um primeiro momento Gaioto afirma ter esperado uma resistência também por parte da mídia, na qual ele diz não ter encontrado. Existe a divulgação do trabalho de Elomar, mesmo ele abnegando estas possibilidades, mas por ser um estilo segmentado e regional, acaba por não alcançar a grande massa, o que na entrevista dada ao aluno de jornalismo, Elomar considera positivo. |
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