O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) reuniu lideranças políticas, empresários e jornalistas para um café da manhã, no final de agosto, no Bristol Hotel, em Maringá. Entre os pães de queijo, sucos, cafés e uma farta mesa de frios, poucas perguntas indigestas ao virtual candidato ao governo do Estado do Paraná em 2010 – talvez pela última vez.
Em pesquisa espontânea realizada pelo Ipespe (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas), Álvaro Dias aparece em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para governador, com 39%. As pesquisas serão essenciais para definir o nome dos tucanos na disputa de 2010: “Nós vamos escolher o candidato do PSDB pelas pesquisas de opinião pública”, afirmou Dias. “Não é o partido que escolhe: é o povo.”
De acordo com Álvaro Dias, há concorrentes em franca campanha eleitoral, apesar da disputa ainda estar longe de começar – estratégia que ele próprio pretende renunciar. O senador cita o vice-governador Orlando Pessuti (PMDB-PR), Beto Richa (PSDB-PR) e Osmar Dias (PDT-PR) que, segundo ele, já estão em campanha. “A melhor campanha que eu posso fazer é trabalhando lá em Brasília, exercendo meu mandato”, acredita.
O senador, que iniciou sua trajetória política em 1968, como vereador em Londrina, elegeu-se governador do Paraná no ano de 1987. Na época, afirma ter enfrentado “a mais perversa crise financeira da história da administração pública”, com inflação de 80%.
O tucano conta que as pesquisas indicam que sua fase à frente do Executivo estadual foi bem avaliada, tendo obtido inclusive o maior crescimento do PIB no período. “Isso tudo me estimula a voltar ao governo em um tempo diferente, de estabilidade econômica.”
Álvaro Dias consegue se enxergar ainda por “uns vinte anos ou mais” na carreira política. No entanto, afirma: “Se eu não for candidato nesta, eu não serei mais candidato ao governo do Paraná.”
Críticas
Durante a entrevista, o senador não poupou críticas ao governo Luis Inácio Lula da Silva, que ele afirma ter “instituído o império da mentira”. Para o senador, a polêmica sobre o encontro da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, e a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, não pode ser considerada irrelevante.
“É importante saber quem mentiu, porque a mentira vem se repetindo e acobertando erros. É a mentira do dossiê, da dona da Varig, agora é a da Receita Federal: nós vamos viver de mentira no Brasil?”, indaga.
O senador ainda acusou o presidente Lula de “achincalhar o Senado”, ao permitir a permanência de José Sarney (PMDB-AM) na Presidência do Senado. “O Sarney estava pronto para renunciar à presidência quando o Lula assegurou a ele integral apoio, porque esse desgaste interessa ao Lula. O governo Lula detesta o Senado”, dispara.
Segundo Álvaro Dias, o ódio de Lula ao Senado deve-se à atuação dos senadores, que derrubaram a CPMF, rejeitaram projetos do governo e aprovaram propostas que não eram do interesse da base governista. Mesmo assim, o senador crê que o Senado não é a pior representação política do Brasil. “A Câmara dos Deputados não é melhor”, avalia.
Ao comentar a desfiliação do senador paranaense Flávio Arns, que abandonou o PT na semana passada, Álvaro Dias provocou ao chamar o partido de “vaquinha de presépio” e afirmar que Lula desmoraliza a sigla. “O PT está de cócoras diante do Presidente da República”, cutucou.