Policiais paranaenses contam história de grupo especial da Polícia Federal
Brenda Caramaschi
Postado em 02/12/09

Você já deve ter ouvido falar do BOPE, o Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar que foi retratado no livro “A Elite da Tropa” e no filme “Tropa de Elite”. Mas e o COT, você conhece? Este é o Comando de Operações Táticas da Polícia Federal, e a história desse grupo e do dia a dia de quem faz parte dele também virou livro, escrito por dois paranaenses, um deles daqui de Maringá.

Eduardo Maia Betini é agente da Polícia Federal há nove anos, seis deles no COT. Antes de entrar para a PF conhecia algumas cidades de Santa Catarina, de São Paulo e do Paraná. Hoje conhece todos os Estados da federação. Participou de algumas das missões que ganharam mais repercussão nos quatro cantos do Brasil, de prisões de quadrilhas à visita de George Bush ao país. Em parceria com o curitibano Fabiano Tomazi, Betini se dedicou durante quase cinco anos à escrita do livro “Charlie Oscar Tango - Por dentro do grupo de operações especiais da Polícia Federal” foi escrito com o intuito de divulgar o que é e como funciona o grupo de elite do qual ele faz parte.

Por causa da hierarquia existente dentro da polícia, os autores esperaram por mais dois anos para publicar a obra. “O livro estava escrito mas não sabíamos se iríamos poder publicar. Tivemos de verificar se não tinha informação ‘sobrando’, que pudesse nos prejudicar, prejudicar a ação da PF. Depois disso, tínhamos que falar com nossos superiores, afinal o livro conta o funcionamento da Polícia Federal, tem o símbolo da Polícia Federal na capa,” conta Betini.

O receio dos policiais se desfez quando apresentaram a obra ao chefe do COT e tiveram a idéia muito bem recebida. “Ele disse que há muito tempo queria algo assim”. O próximo passo foi encaminhar o livro para aprovação do Diretor Geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa. “Pedimos pra que ele escrevesse o prefácio. Ele fez mais, escreveu a apresentação do livro”, conta.

A aprovação não veio só do alto escalão da Polícia Federal, mas também dos agentes, que se identificaram com cada etapa narrada, do treinamento aos detalhes de como funciona uma operação do COT. “Os agentes, muitas vezes, não gostam ou não sabem como falar sobre o trabalho deles para os amigos, a família, então, além de comprar para eles, os policiais dão de presente, para que saibam como é o dia a dia que eles vivem”. Betini conta que chegou a ser procurado pela filha de um policial que morreu em serviço, perguntando sobre como era o pai e como ele era visto na corporação.

Uma preocupação na escrita do livro foi não retratar os integrantes do COTcomo heróis, mas dar crédito a quem tem direito, como os agentes que trabalham na inteligência da Polícia Federal. “Nós fazemos parte da ação, mas quem investiga mesmo, quem faz o trabalho duro, são aqueles que investigam, que ficam aqui em Maringá, em Presidente Prudente, nas delegacias da PF em cada cidade.

O livro, que já está na segunda edição, foi comparado ao “Elite da Tropa”, escrito pelos policiais André Batista e Rodrigo Pimentel, do BOPE, em parceria com o antropólogo Luiz Eduardo Soares, que deu origem ao filme Tropa de Elite e retrata o cotidiano do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Betini estava com “Charlie Oscar Tango” praticamente finalizado e fazia o curso do BOPE quando o livro com a história do grupo da PM foi lançado. Recebeu um exemplar e conta que teve medo de encontrar ali o mesmo que estava pronto para publicar. “Mas quando li, vi que eram abordagens bem diferentes. A realidade do BOPE é a outra, mais voltada para a violência do Rio, dos morros. Não é o que o COT faz, são áreas de atuação distintas. E o objetivo não é fazer comparação entre os grupos. Sou ‘caveira’ [como são chamados os policiais do BOPE] e gosto muito do ‘Elite da Tropa’.

Na obra dos paranaenses, além de conhecer como foi a execução de operações de altíssimo risco  o leitor fica sabendo mais sobre como preservar a segurança, o que para o integrante do COT, é dever de toda a sociedade “A polícia tem seu trabalho, mas a responsabilidade pela segurança é de todos, da comunidade, inclusive”.

Postado em 02/12/09 | Imprimir | Opine sobre esta notícia (0)

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